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Memórias Imigrantes

Memórias, não são só memórias/

São fantasmas que sopram coisas ao ouvido 

Coisas que ... (Pitty)

Hoje, o dia foi igual a todos os outros. Já entrei na rotina aqui. Perdi a noção do fim de semana porque os dias são todos iguais, a rotina é a mesma. A vida de imigrante tem certos limites, pelo menos no começo – eu até já escrevi sobre isso... A mais dificil é a barreira linguística. Por mais que a gente saiba o idioma, lidar com todas as pressões ao mesmo tempo não é muito fácil.  Fico pensando nos meus antepassados ​​que foram para o Brasil no início do século passado. Sem tecnologia, como eles aguentaram a saudade da família que ficou? Como deve ter sido difícil aprender o novo idioma... Anna Pavlemko já escreveu sobre isso antes, sobre adultos aprendendo um novo idioma e construindo uma nova identidade em outro idioma e como esse processo é complexo. Quantos mais idiomas se sabe mais recursos se tem, mas demora um tempo pra gente se acostumar com as novas identidades que eles trazem. Gosto da música da Pitty cujos versos no início do post. Estes versos especialmente  expressam algo que eu pensava às vezes, que era ir para um lugar onde ninguém me conhecesse "Eu quis me perder por aí/Fingindo muito bem que eu nunca precisei de um lugar só meu", mas ao contrário do que eu pensava, não achei muito fácil ser imigrante, não e fácil contruir de novo uma história... Bruno Catalano expressou tão bem o buraco, o sentimento de incompletude que a gente imigrante carrega dentro de si:


Já passamos da metade de junho... E parece que já vivi uns três anos neste primeiro semestre de 2021. Tanta coisa já aconteceu… Entre todas elas, em março perdi meu pai para a Covid. Eu tinha muita esperança de vê-lo novamente, no entanto Deus quis que fosse diferente. E eu preciso me conformar, mas é difícil aguentar a saudade, as lembranças, e a vontade de contar para ele as minhas aprendizagens...  Ah, agora fiquei com um aperto no coração e vontade de chorar… C’est la vie, como se costuma dizer na França. Ela acontece ao vivo, e a gente tem de se adaptar… Isso me lembrou Mario Quintana, quando ele disse...

O Tempo

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!  [Vou fazer 50 anos neste ano, olha só...]
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...

Regina, Saskatchewan, Canadá, Junho 2021


Comentários

  1. Ficou maravilhoso aqui, com fotos (muito significativas)

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    Respostas
    1. Obrigada! Vi que ficou com aquelas faixas brancas. Como a gente consegue tirar isso?

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