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Madrugada de domingo

 Domingo - amanhã é dia de trabalhar novamente. 

Agora é um daqueles momentos em que me pergunto por que não consigo dormir, se já fui deitar mais cedo... Fico pensando na história em quadrinhos lida há pouco. Era sobre um jovem adolescente preso na antiga República Democrática Alemã que vivenciou, de certo modo, a queda do Muro de Berlim. Fico pensando que às vezes me sinto assim, presa dentro de muros. Não conseguindo ver além. Às vezes o muro branco se levanta diante de mim. O muro branco não me deixa enxergar além. Não é que ele seja uma coisa ruim, mas é só que parece que ele não me deixa sonhar. E, se não sonho, não sei se vou chegar a algum lugar. Aí, o pensamento voa do muro branco para o não sonho, e do não sonho para as incertezas. E madrugada, você sabe, parece que tudo é mais sombrio. Dizem que lá pelas 3 horas é a hora do demo, não sei se é mesmo, mas o fato é que os pensamentos vão voando de incerteza a incerteza. Aí a gente começa a ficar meio triste, porque começa a pensar nas coisas que faz, que tem de fazer e que já fez e chega à pergunta: Será que algum dia vai haver algo que eu realmente saiba fazer bem?

Não que o trabalho já não tenha sido elogiado, ou que tudo seja feito de qualquer jeito, mas é o sentimento constante de incerteza. Será que está bom assim? Será que está faltando algo? Será que o "padrão de qualidade" vai diminuir? Será que falo o que faço? Será que faço o que falo? Será, será, será... E assim vou eu de novo madrugada adentro conversando mentalmente com quem melhor entende o que se passa na minha cabeça. Aí volto para o muro. Fico desejando ver o que tem além dele no plano terreno. Claro, em vão. O sono vem chegando. Não traz respostas, para as incertezas terrenas, mas enfim... Certo é que amanhã o dia começa cedo e o sono chegou finalmente. 

Comentários

  1. Nossa! que profundo! até me deu angústia! quando coisa se passa na nossa cabeça, não é mesmo?

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