Quando fomos escolher o livro para esta atividade, Quarto de Despejo apareceu como uma possibilidade excepcional: escrito por uma autora que, mesmo sendo mulher, negra, favelada, mãe solteira, pertencente a uma estrutura organizada para oprimir os de sua classe, não deixou de lado seu compromisso com a literatura. Carolina Maria de Jesus escreveu Quarto de Despejo nos intervalos de uma rotina dura, de catar lixo, cuidar dos filhos (e esse cuidado incluía avisá-los de que naquele determinado dia não haveria o que comer), observar as injustiças do mundo que a rodeava e sobreviver, Carolina escrevia.
E nós? Em nossas rotinas de planejamento e aplicação de aulas, correção de trabalhos, cuidados com a casa, com a saúde (física e mental), compromissos familiares de vários tipos, a falta de reconhecimento por parte de uma sociedade que insiste em ignorar ou subestimar nosso trabalho: que tempo e condições temos para o envolvimento com a leitura e com a escrita?
Prof. Reginaldo Ferreira, muito obrigada por apresentar essa grande escritora. Eu já tinha conhecimento da história dela, mas não tinha sido instigada para ler os diários. Parabéns pela proposta de trabalho!!
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