Pular para o conteúdo principal

Blog de despejo



Quando fomos escolher o livro para esta atividade, Quarto de Despejo apareceu como uma possibilidade excepcional: escrito por uma autora que, mesmo sendo mulher, negra, favelada, mãe solteira, pertencente a uma estrutura organizada para oprimir os de sua classe, não deixou de lado seu compromisso com a literatura. Carolina Maria de Jesus escreveu Quarto de Despejo nos intervalos de uma rotina dura, de catar lixo, cuidar dos filhos (e esse cuidado incluía avisá-los de que naquele determinado dia não haveria o que comer), observar as injustiças do mundo que a rodeava e sobreviver, Carolina escrevia. 

E nós? Em nossas rotinas de planejamento e aplicação de aulas, correção de trabalhos, cuidados com a casa, com a saúde (física e mental), compromissos familiares de vários tipos, a falta de reconhecimento por parte de uma sociedade que insiste em ignorar ou subestimar nosso trabalho: que tempo e condições temos para o envolvimento com a leitura e com a escrita?

Comentários

  1. Prof. Reginaldo Ferreira, muito obrigada por apresentar essa grande escritora. Eu já tinha conhecimento da história dela, mas não tinha sido instigada para ler os diários. Parabéns pela proposta de trabalho!!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Pelo prazer em ler o que quiser!

Sábado, 26 de junho   Final da manhã de sábado, final de mês... Há cerca de  3 semanas que tento escrever esse diário, mas foram tantas atividades, demandas, que me perdi nos prazos e não consegui parar e fazer.  Depois de um feriado- sou do NE e aqui a gente comemora o São João 💃- de muito trabalho e estudo, hoje, durante a minha aula de inglês -kkk- estou escrevendo esse diário, multitarefa que chama?  Brincadeiras a parte, essa tem sido a minha rotina, combinar uma coisa com a outra, tudo na tentativa de ser "boa" em tudo. Não sei se eu realmente estou aprendendo, melhorando, ou só fazendo. Mas sem querer me alongar, eu me sinto feliz com os dias, me sinto feliz em fazer as coisas, me sinto útil.  Não sei se isso é positivo, mas não tem me feito mal quanto as pessoas acreditem que seja... Pelo menos eu acho... Se passo o dia todo produzindo isso não é uma tortura para mim, sabe? Tortura para mim são os prazos curtos, esses me irritam, me impedem de faze...

Diário de Despejo - Suzan

Quinta-feira, 10 de junho de 2020  Acordei com o despertador. Trabalhei até muito tarde ontem e ainda teve a reunião de condomínio.  Checo as mensagens no celular. A Amy continua entubada, mas tá reagindo muito bem ao tratamento. O prognóstico é positivo, os médicos estão animados, diz a mensagem no grupo de orações. Suspiro aliviada. Graças a Deus.  Não aguento mais tanta tristeza.  Que tempos obscuros. A aluna da manhã mandou mensagem cancelando a aula. Levantei, olhei pela janela. O dia era frio e cinza. Lembrei que tinha muito o que fazer , mas não tava me sentindo bem.  Voltei a dormir. Levantei, arrumei o almoço, esperei minha aluna das 13 horas. Ela não apareceu na aula. Fiquei frustrada. Acessei a aula de Espanhol. Conversei um pouco com a professora enquanto esperávamos as colegas entrarem.  Ela teve a sorte de se vacinar. No Rio de Janeiro, onde ela mora,  estão contemplando professores particulares também. Aqui não.  Tentei me vaci...

Madrugada de domingo

 Domingo - amanhã é dia de trabalhar novamente.  Agora é um daqueles momentos em que me pergunto por que não consigo dormir, se já fui deitar mais cedo... Fico pensando na história em quadrinhos lida há pouco. Era sobre um jovem adolescente preso na antiga República Democrática Alemã que vivenciou, de certo modo, a queda do Muro de Berlim. Fico pensando que às vezes me sinto assim, presa dentro de muros. Não conseguindo ver além. Às vezes o muro branco se levanta diante de mim. O muro branco não me deixa enxergar além. Não é que ele seja uma coisa ruim, mas é só que parece que ele não me deixa sonhar. E, se não sonho, não sei se vou chegar a algum lugar. Aí, o pensamento voa do muro branco para o não sonho, e do não sonho para as incertezas. E madrugada, você sabe, parece que tudo é mais sombrio. Dizem que lá pelas 3 horas é a hora do demo, não sei se é mesmo, mas o fato é que os pensamentos vão voando de incerteza a incerteza. Aí a gente começa a ficar meio triste, porque com...